Etica e vergonha na cara pdf


 

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Author:NELL LEARMAN
Language:English, Spanish, Hindi
Country:Cameroon
Genre:Religion
Pages:449
Published (Last):20.07.2016
ISBN:689-8-42734-476-1
Distribution:Free* [*Sign up for free]
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Etica E Vergonha Na Cara Pdf

Publisher's PDF, also known as Version of record. Citation for "Isso é um escárnio, um tapa na cara da população. O povo (no Conselho de Ética)", disse Cardozo (F5/5 ) Uma Historia de Orgulho e Vergonha. 2 abr. ética na vida social, considerando neste todo também os serviços como saúde e a consolidação de patamares éticos na vida social e nas relações www. nbafinals.info (acesso 31 ago. ). 6. atentam contra a dignidade, tais como os que causam vergonha e. de si mesma, Abelardo, por sua vez, interioriza a vida moral na consciência do . - Ethica nostra et ethica uestra: a ética cristã e a pagã. necessariamente culpa, razão pela qual Abelardo pode estender a distinção, cara ao mérito que a ação em si mesma e a vergonha são matérias para o julgamento humano.

Apresenta A Escuta e o Silncio com muito prazer que introduzo para o pblico a presente obra de Will Goya: A Escuta e o Silncio, sobretudo porque se trata de uma pes- soa cuja vocao para a psicoterapia se declarou muito cedo, a ponto de aos 18 anos j estar em Braslia, fazendo conosco a for- mao da nossa Unipaz, com um razovel conhecimento de todos os grandes pioneiros da psicoterapia moderna. O ttulo do livro bastante sugestivo da sua prtica teraputica, como ele a descreve, com uma poderosa fora de compaixo. Ele sabe se transformar em ouvido atento, no somente ao contedo da fala, mas tambm s muitas linguagens no-verbais, nas suas diferentes expresses fenomenolgicas. Com certeza este livro de filosofia constitui uma grande contri- buio psicologia e a todos que atualmente procuram cuidar do Ser. Pierre Weil Ex-aluno de pensadores como J. Piaget, I. Caruso e J. Moreno, Pierre Reitor da Unipaz, educador e psiclogo mundialmente conhecido, com cerca de 40 livros e tradues em vrias lnguas. Com o amor a gente aprende a perder. Naturalmente, Controlar tudo perder o controle E perde quem no est disposto a perder, Pois o orgulho destri no a culpa, mas o corao do culpado. Amar no desejar o prximo como a si mesmo, fazer do amado o primeiro e de si mesmo o prximo. O amor no fraco nem forte, muito ou pouco, apenas inteiro, Ainda que por uma frao de segundos Nos instantes mais belos da vida. S o que simples completamente inteiro.

Graal; Loponte LG. Sexualidades, artes visuais e poder: Rev Estud Fem ;10 2: Desvelando significados do primeiro banho no leito para alunos de um curso de auxiliares de Enfermagem. Freire P. Pedagogia da autonomia: Paz e Terra; Kruse MHL. Os poderes dos corpos frios: ABEn; O corpo da enfermeira como instrumento do cuidado. Revinter Body and nursing: Bacalarski MC. Vigiar e punir. Vozes; Rodrigues JC. Tabu do Corpo.

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Although he acknowledges the underside ofprison life, he also tries to humanize it and mitigate the facelessnessof the incar- cerated masses by describing his own personal experience: "[Elsse e o outro lado que eu quero mostrar.

Porque o crime tem os dois lados: tem o lado do dinheiro, da mulherada, das curtigdes, voc2 ser bem visto dentro do crime, mas tem o outro lado tambem, a sua falta de liberdade, a soli- Brazil's Escritura da exclusiZo 28 1 dfo, e a falta de compreenslo e amor-proprio, porque voct e simplesmente mais um numero" 1 He therefore touches upon what is one of the fundamental paradoxes of testimonio as well: to convey effectively a collective plight, it is often necessary to depict it on the individual level.

The presence ofhis name in the book's title reflects the same paradox. Beverley, noting a similar tendency in the titles of Spanish American testimonial narratives, concludes that the genre makes possible the "affirmation of the individual self in a collective mode" "The Margin at the Center" 29, Beverley's emphasis. The same can be said of Andre du Rap's account. When considering the question of orality in Sobrevivente Andrd du Rap, it is important to bear in mind that both testimonies in the book, "Depoimento" and "Free Style De improviso " are edited transcriptions of spoken narratives.

This statement has the effect, how- ever, of M h e r stigmatizing AndrC du Rap by drawing attention to the flaws in his spoken Portuguese. The inevitable implication that the speaker is to some degree inarticulate casts doubt upon his ability to speak effectively without the mediation of his highly literate editor.

At the same time, a value judgment is implicitly being passed on oral expression, which perpetually falls short of conforming to literary standards. In fact, AndrC du Rap's speech is not so much incorrect, but rather characteristic of colloquial Brazilian Portuguese in general, as the following typical excerpt illustrates: "Um belo dia t6 la, uma semana que eu tava no pavilhb, peguei o cafe, abriu a tranca, ai t6 indo no pilo-pilo e quando c t ti andando pra algum lugar, no nosso dialeto.

T6 indo no pilo pela galeria, trombei um companheiro de mileano, muitos tempos atras" Indeed, the oral markers in evidence here "t6," "tava," "ct," "pra" are common in middle-class Brazilian speech patterns. Orality permeates Sobrevivente Andrd du Rap not only on the level of the transcription of the spoken word in "Depoimento" and "Free Style De improviso ," but also through the perceptible influence of rap and hip-hop culture upon the speaker, as I have already noted. Porque na Bpoca eu tocava nos bailes, trabalhava nas promopdes com virias equipes de baile-Black Music, Chic Show, Zimbabwe, Kaskata's-na Bpoca que estavam no auge.

De vez em quando eu tocava nos bailes tam- bBm e conhecia vhrios manos, varias minas. Rap and hip-hop permeate the narrative in other ways as well. AndrC du Rap refers twice to his own lyrics, the first time in describing his unexpected transfer from Pirajui, which caused the disbanding of his group, Unilo Racial, and the second in denouncing the beatings and torture that prisoners generally face upon arriving at a new facility.

These intertextual references imply that the speaker is in effect repeating and re-elaborating in his oral testimony what he has already expressed through rap. His lyrics therefore constitute another form of bearing witness to prison life.

Andre du Rap avers that rap music is his preferred medium of self-expression,which he views as equal to the written word: "Eu escrevia mais letra de rap, poesia, sempre gostei mesmo de usar a mente pra rnusica.

Mas conheqo varios caras que escrevem livro. Tudo e conteudo, e so vocC pegar, encaixar as coisas [ I" Perhaps even more importantly, he exposes the conflation of popular and high culture by identifying himself as both rapper and poet. Sobrevivente Andrd du Rap also illustrates and takes as its theme the way in which orality, in the form of rap, has the potential to subvert the established order.

Those who administer the penitentiary system in Brazil clearly view rap as a serious threat to their authority. Andre du Rap describes instances in which he claims to have been victimized by the prison management, solely Hispania 89 May on the basis of his association with rap culture. He recalls, for example, how a jail director arbi- trarily denied him parole, referring to him as a "preso indisciplinado" and a "lider de motim," after he informed her of his intention to continue rapping on the streets He also tells of how he was beaten at least once by prison guards for the same reason: "Cheguei a apanhar por causa das minhas letras de rap.

In both cases, the representatives of power label him as subversive because he is a rapper. Further, the prison functions in this respect as a microcosm of the "outside world," or Brazilian society at large, which according to Andrk du Rap also tries to suppress rap and hip- hop movements and by extension the self-expression of marginalized groups: "Por que a gente nlo est5 na midia, por que a gente nlo estoura, nlo tem um canal aberto pro hip-hop?

Porque eles nlo querem ver essa realidade" Andre du Rap therefore views his chosen form of expression as a conduit to social change, a "revolup? Unlike Andr6 du Rap, Jocenir authors his own prison narrative, Diario de urn detento: 0 livro, without any outside mediation.

His self-proclaimed status as a writer precludes a complete identification with the rest of the incarcerated population.

Porem, este e meu inferno, doloroso e meu. Meu e de milhares de companheiros que tentam sobreviver tranca- fiados. In comparison toSobrevivente Andrk du Rap, however, his status is arguably closer to Bruno Zeni's than to that of Andre du Rap himself, insofar as Jocenir also mediates the prison experience as an outsider-albeit from within.

The sensation of being out of place pervades his account: "0s dias correram e eu pude perceber que entrava num outro mundo, diferente de tudo o que eu experimentara em termos de convivio humano [ He repeatedly declares his solidarity with his fellow prisoners, yet he cannot share their class-consciousness because he comes from another stratum of society: "Nasci e hi criado em bairros declasse media, talvez por isso rninha facilidade em notar que a histbria da grande maioria dos presos est5 absurdamente ligada ao estado de miskria em que se encontra nosso povo" Interestingly, he attributes his enlightened understanding of the plight of Brazil's marginalized populations to his middle-class origins.

At the same time, he makes it a point to distinguish himself from those same excluded groups: "[Plaramim, aperiferia eraumacoisadistante: seus dramas, suas peculiaridades, sua mi- seria, sua violbncia, so percebi de verdade quando estava curnprindo pena, pois a grande maioria dos comphanheirosvem daperiferia" In this way, he positions himself as a mediator who, by virtue of his background, has more in common with his middle-class reader than with his fellow inmates.

As he himself points out on numerous occasions, Jocenir's education and, more specifically, his perceived talent for writing set him apart from most other prisoners: "A maioria da massa carceriiria 6 precariamente alfabetizada.

Alguns ma1 conseguem escrever seus nomes. What is curious, however, is how he re-interprets, instead of simply transcribing, what they dictate to him: "A dor de cada um se transferia para mim, de mim para o Brazil's Escritura da exclusio papel. Primeiro ouvia atentamente o que o companheiro dizia, procurava interpretar suas ansie- dades, seus sonhos, seus desejos [ Incorporava I. Traduzia o chrcere com um lapis" Although Jocenir again asserts his claim to speak on behalf of the jailed population with whom he shares many of the same experiences, he in effect acts as its "translator" or mediator.

The ability to write confers an almost ethnographic distance between him and the other prisoners: "Por ler e escrever com facilidade, o que e raro na cadeia, tomei contato com muitas almas infelizes. Isso era bom, mas virei espectador de muitas tragedias" He sees himself as a spectator, one who by definition watches without becoming involved in what he observes.

He also ratifies this distance by disparaging the writing of other prisoners, such as in the case of an anonymous note of encouragement that he received soon after being incarcerated: "Era um bilhete muito ma1 escrito, uns garranchos dificeis de ler" Favoring literature over orality, Jocenir affirms his identity as a writer throughoutDiario de um detento, a notable departure from testimonio's characteristic erasure of the author.

Unlike Andre du Rap, who expresses himself in a colloquial style of speech, Jocenir opts for a more formal register, though he also incorporates into the text prison slang as well as excerpts from the lyrics of the song he co-wrote with the rapper Mano Brown. As is to be expected, Diario de um detento is, as a written account, more susceptible to artistic intervention than oral-based nar- ratives such as AndrC du Rap's.

One of the most overt instances of literary mediation in Jocenir's book occurs in the final paragraphs, in which he describes his release from prison: "'Tomamos o rumo de casa, e no caminho era como se eu renascesse [.

Sentia o vento bater em meu rosto, contemplava toda a natureza, olhava para o ceu, botava as miios pela janela do carro para que a chuva fina tocasse minha pele, aquela agua era um balsam0 divino que lavava minha alma para uma nova etapa da vida que ia comeqar"' 1.

Adhering to literary convention, the author fashions a poetic, conclusive ending to his account of prison life. At the other extreme, Andre du Rap's narrative is highly disjointed and non-linear, lacking a distinct beginning or end, which allows Zeni to rearrange the different segments without diminishing the overall coherence of the testimony. The contrast between the two works is symbolic as well: Jocenir is able to "close the book," so to speak, on his prison experience and embark on a new stage in life, presumably reintegrating himself into the middle class, whereas for AndrC du Rap, leaving prison means a return to the margins of society, hence there is no possible closure.

If mediated testimonies such as Sobrevivente Andrk du Rap are at one extreme in terms of authorial hnction, then Cap60 Pecado and similar works-including Paulo Lins's Cidade de Dew-are situated at the other. Indeed, Ferrkz's status as the author of a fictional rendering of life in the urban periphery would seem to preclude a comparison with the testimonial genre, which, according to Beverley, represents a "radical break [.

Nevertheless, the fact that the author bases the story upon his own experience growing up in the CapPo Redondo slum confers an almost autobiographical legitimacy to his text. Furthermore, literary depictions of the excluded in Brazilian letters have traditionallytaken the form of what Beverley refers to as a "vertical model of representation in the double sense of mimesis and political representation ," in which a pro- fessional writer speaks about or on behalf of those who are cast to the margins of society AgainstLiterature By contrast, Ferrez is a member of the sameperipheral community that he portrays in his novel, thus upsetting the notion of the bourgeois author in the same way that the testimonio genre does.

Capclo Pecado can be interpreted on one level as the story of the ups and downs of an adolescent love affair between the protagonist Rael, a teenager raised in the slum of Capiio Redondo, and his best friend's girlfriend, Paula. According to this perspective, Rael is not so different from the traditional protagonist of a bourgeois novel, except that the plot unfolds against the stark backdrop of urban poverty and violence in Brazil. Another possible inter- pretation is suggested,however, by the preface.

In it, Ferrez recounts what seems like the typical "boy meets girl" story, only with an added twist in which the boy is not a middle-class playboy, Hispania 89 May but rather a poor Brazilian or marginal. The result is a far cry from the usual happy ending: [A menina] C a culpada dos sonhos do menino terem ido para dgua abaixo, e o dlcool completa o circulo de dor t?

A crianga chora, o gato foge, ela desanima, e os sonhos acabam mais uma vez. I 0 calor foi mais uma vez roubado do corpo-ele foi rnorto-, estava quase sem esperanpas de ter um bom futuro, pois queria ter algo, mas estava sem dinheiro, numa hrea misedvel onde todos cantam a mesma canplo, que B a unica coisa que algutm j6 fez exclusivamente para algudm daqui [ The protagonist of CapZo Pecado therefore fulfills the same metonymic function as a testimonial subject.

The transition from the "boy meets girl" story in the preface to the novel proper is, in a sense, analogous to the ''zooming" effect of the poem preceding the former, which begins with the universe and ends with C a p b Redondo, described as the "fundo do mundo" Although Ferrez takes a more literary approach than Andre du Rap and Jocenir, orality per- meates Capdo Pecado in ways that are reminiscent of their two accounts.

The distance between the level of narration and that ofthe dialogues is minimal. In other words, much like the speech of the characters themselves, the third-person narration closely resembles colloquial, oral ex- pression, as the following passage demonstrates: "A vizinha estava saindo pra comprar plo. Se assustou com o barulho, mas antes de entrar, ela viu Rael sair com uma arma dentro da metalur- gica.

Entrou em casa, ligou para a policia e ferrou mais urn irmZo periferico9' In this example, the slang expressions "ferrou" and "irmb" tinge the narration with an oral quality. Furthermore, similar to the other two Brazilian works, Capdo Pecado is heavily influenced by rap and hip-hop culture, evident mainly in the segment written by the rapper Mano Brown that precedes the first of the five parts of the book.

As the cases of Sobrevivente AndrC du Rap, Cap60 Pecado, and-to a lesser extent- Diario de urn detento demonstrate, the Brazilian writing of exclusion challenges the institution of literature by undermining at least three main literary conventions. Seria incorreto pensar que na Filosofia Clnica h diferentes mtodos filosficos para diferentes pessoas. Ao contrrio, ela possui uma s composio terica, feita de cinco exames categoriais de anlise existencial do partilhante, como se ver adiante.

De outro lado, feito de uma prtica clnica de consultrio, com procedimentos teraputicos adequados cada pes- soa. Lcio buscou compreender as verdades existenciais de cada um e, consciente delas, orientar as pessoas no sentido de suas melho- res possibilidades de vida, quando em momentos difceis.

A partir da sua experincia clnica pessoal, descontente com a psicanlise e com a psiquiatria, conhecendo e afastando-se do traba- lho de filsofos consultores na Holanda, aprofundou suas pesquisas nos atendimentos em hospitais em Santa Catarina, no sul do Brasil, investigando, nos clssicos da filosofia, maneiras de ajudar as pesso- as em suas dores existenciais. A seu modo, observou, no relato das histrias das diferentes pessoas, correspondncias entre as concep- es de vida nelas reconhecidas e as vrias teses fundamentais das grandes correntes tericas do pensamento, de tal forma que nenhu- ma destas sozinha teria sido capaz de explicar satisfatoriamente a diversidade humana.

Com disciplina, procedeu sempre na mesma di- reo: das pessoas para as teorias. Em seus escritos didticos de aula, conhecidos como Cadernos de A at R, [s. Mas o que a Filosofia Clnica? O que filosofia uma questo to antiga quanto o prprio nome. Nunca se definiu completamen- te, revelando sua infinita e poderosa capacidade de reflexo.

Alm disso, uma questo posta pela prpria filosofia, que talvez melhor se defina Deleuze, pela sua funo, a de criar sempre novos conceitos, lutando contra as opinies que escravizam com respostas apressadas e solues demasiadamente fceis. Os conceitos no so formados como moldes, no so achados, como se fossem produtos. Eles se pem em si mesmos, pela necessidade de se afirmar o que uma coisa , de tal forma que se possa identific-la e jamais confundi-la WILL GOYA 27 com qualquer outra.

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So criados e afirmados como conhecimento das coisas e dos seres, reconhecidos por meio de seus atributos essenciais. Pensando assim, a filosofia debruou-se sobre diversos recortes da re- alidade vivida, produzindo importantes reflexes sobre temas como a religio, a arte, a cultura, as cincias etc. Particularmente, a Filo- sofia Clnica investiga o conceito de psicoterapia, buscando tambm um novo olhar sobre a tica nas relaes com o outro, aquele com quem se partilha os cuidados teraputicos.

Seu esforo de reconduzir o pensamento a respeito, entretanto, no faz dela uma filosofia da psicologia, ainda que discuta mtodos e fundamentaes.

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Em seu es- foro, a Filosofia Clnica possibilita a reconduo do entendimento e da pesquisa tanto quanto inaugura mtodos prticos de trabalho. A Filosofia Clnica uma prxisiv de alteridadev, que trouxe s psicoterapias todas as vises de mundo j pensadas nesses 2.

Por se tratar de uma autntica reflexo aberta, cr- tica a si mesma, ela capaz de entender a subjetividade de quaisquer indivduos, sem fugir a uma s manifestao existencial singular de ningum. Novas filosofias que ainda ho de surgir, endossando possi- bilidades, s intensificaro seu grau de escuta e o dilogo com as dife- renas. Ademais, sempre houve um carter teraputico na filosofia, um autntico cuidar do ser na formao humana, desde a Paideia dos gre- gos antigos, quando ainda no havia a seco moderna a separar teoria e prtica.

Seria um grande erro pensar que a Filosofia Clnica no fi- losofia simplesmente por acreditar que ela tem posse das verdades psi- colgicas, dos mapeamentos e diagnoses das psicologias, como se ela se pretendesse cientfica. A Filosofia Clnica procura, antes, desfazer falsos problemas existenciais, derivados de uma certa forma de pensar as teorias da psique humana.

Que a atividade filosfica se torne eficaz e tenha um alcance teraputico em nada implica quaisquer formas de cura, embora possa haver coincidncia em alguma comparao.

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No poderia haver maior equvoco ao se acreditar que os dramas pessoais so meramente psicolgicos. Por certo no. H importantssi- mas questes filosficas concernentes relao entre a mente e as es- truturas do mundo que a envolvem. Isso justifica o posicionamento e a definio de conceitos tais como indivduo-coletividade, alma-corpo, vontade, iluso, verdades subjetivas, morte, eutansia etc. Por fim, at as questes psicolgicas devem, antes, ser fundamentadas pela filosofia, em busca do entendimento e da transformao do que ou se denomina realidade.

Antes das psicologias ou psicanlises, misso da filosofia garantir uma indispensvel certeza: para se conhecer as pro- fundidades de algum, deve-se, primeiro, saber quais so os limites do conhecimento humano.

O mais sbio h de ser o mais humilde. Diferentemente das psicoterapias, em filosofia no se pode dizer que um sistema de pensamento seja refutado, superado ou trocado por outro melhor; exceto, claro, se o sistema foi mal elaborado, consti- tuindo-se, portanto, m filosofia.

Cada teoria filosfica possui tal coe rncia de raciocnio e concordncia de ideias, segundo seus prprios postulados e regras lgicas, que a torna inegvel.

Divergncias e cr- ticas a partir de outros princpios no lhes retiram os fundamentos, apenas abrem novas perspectivas sobre o real. Conquanto a Filosofia Clnica, a psiquiatria, as psicologias e as psicanlises se fundamentem na filosofia e tirem concluses filosficas, somente a primeira capaz de uma releitura de toda a tradio filosfica em seus prprios proce- dimentos tcnicos.

A fora presente nas conseqncias disso reside na potncia de conhecimento e de coeso no tratamento de conflitos fi- losficos de natureza existencial. Afinal, de que vale a soluo correta E para que formular perguntas cujas respostas nunca podero ser honestamente conhecidas?

Quantas e quantas vezes o fcil alvio de um sintoma psicolgico veio justamente mascarar a resposta a uma pesquisa das causas profundas? Como se ver mais adiante, nas razes de uma aparentemente simples demanda clnica, h importantes questes epistemolgicas, de linguagem, de esttica, de lgica, instncias metafsicas, contendas ticas etc.

H muitos filsofos da alteridade e, como tais, elaboraram con- ceitos, porm no criaram estratgias prticas para o exerccio coti- diano da alteridade. H quem diga que isso no misso da filosofia e sim das cincias, das religies, das artes e da cultura em geral. Seja como for, Lcio Packter aceitou essa incumbncia, em benefcio da- queles que no souberam fazer dos livros uma extenso natural da vida.

Escuta e o Silencio - Listening and Silence - 2aEd. WILLGOYA.pdf

A rigor, nenhuma objetividade cientfica ou filosfica possvel sem a existncia do ser humano, do sujeito que elabora a cultura e constri o conhecimento. Buscar garantias lgicas formais na estrutu- rao de um conhecimento no pode significar, na prtica, a negao da vivncia dessa realidade, especialmente em se tratando de tica. Esquecer-se da subjetividade emprica,vi isto , da pessoa concreta, que se alimenta de comida e de sonhos, que ama e sofre, dorme e acorda, que tem dvidas a pagar, filhos, dramas e alegrias Na lembrana do sbio de Tarso, ainda que tiv- ssemos todo o conhecimento e no tivssemos amor Nas intimidades da minha f na vida, no tenho dvidas: dos saberes da alma humana, s o amor conhece o que a verdade.

Podemos nos discordar at a medula e ainda assim ser possvel a amizade. Como afirma o ditado, a humanidade corre srios perigos, quando um homem faz das suas verdades martelos e dos indivduos pregos.

Nem poderia ser de outra maneira: o filsofo clnico deve ao seu partilhante a dedicao e o amor que se guarda a um amigo.

Em conseqncia, na fundamentao prtica da terapia filosfica, a empatia determinante. A qualidade de interseo, do envolvimento subjetivo capaz da aproximao e da confiana entre quem vem ao consultrio e aquele que se coloca sua disposio, constitui-se o incio e, em alguns casos, at o fim da terapia. Ainda que pouco comum, um partilhante pode relacionar-se apenas atravs de conflitos e embates com o terapeuta, mediante os desafios da su- perao de si mesmo.

Os cuidados do amor nem sempre caminham em intersees positivas. Com o tempo, no difcil reconhecer o elevado valor do convvio: os outros, por vezes, nos tornam outros tambm. Estar juntos procura de novas opes para os problemas vivenciados, novos endereos existenciais, subjetivamente melhores, um risco de mudanas para outras convices e verdades.

Nessa escuta profunda, o filsofo recupera dia a dia o espanto inaugural do saber, que deu origem filosofia, e, perante o j conheci- do, mantm acesa a poderosa fora das hipteses. Motivo suficiente para esclarecer que a Filosofia Clnica no nem poderia ser um sim- ples resultado de muitas leituras. No , pois, a filosofia acadmica aplicada clnica,1 como se a realidade fosse um muro a nos separar da outra pessoa e a erudio uma pintura do seu retrato.

Antes, fazer clnica filosfica caminhar junto nos labirintos do partilhante e, em seus momentos mais difceis talvez os nossos tambm , abrir- lhe uma janela como fossem plpebras sobre o desconhecido, ilumi- nando sua vida. A Filosofia Clnica utiliza-se instrumentalmente de conhecimen- WILL GOYA 31 tos, por certo, mas com uma conscincia epistmica da prtica, for- malizando e modelando os encadeamentos, meios e fins.

O aspecto funcional do conhecimento filosfico dialeticamentevii vinculado estrutura teraputica, sem jamais perd-la de vista. Na Filosofia Clni- ca, o partilhante serve para dar a conhecer o conhecimento e no o in- verso.

Isto , as doutrinas pessoais do terapeuta filosficas, psicolgi- cas, religiosas Razo pela qual muitas e reiteradas vezes o filsofo pode ser convencido pela experincia junto ao outro a mudar suas mais convictas verdades.

Na clnica filosfica, as verdades exis- tenciais do outro aparecem na estrita relao com a pessoa dele, re- conhecidas pelo filsofo como absolutamente vlidas na historicidade do partilhante. Jamais considerado errado em suas concepes origi- nais, entretanto, este tambm pode rever o que tinha por definitivo, de acordo com seu desejo ou sua necessidade, por efeito da terapia.

Todas as importantes certezas que herdamos, se no equivocadas, esto insuficientemente corretas para decifrar os mis- trios da alma humana. Se compararmos umas ao lado das outras, as grandes teorias sobre o homem elaboradas na histria anular-se-iam em contradies ou mostrar-se-iam incompreensveis e paradoxais ao mesmo tempo. Assim, com que mtodo a Filosofia Clnica capaz de reunir todas as correntes tericas como instrumentos teraputicos a servio de uma tica da escuta?

E isso de tal forma que um nico filsofo seja apto a escutar e compreender a infinitude de vises de mundo existentes como se a elas pertencesse. Seria possvel tamanha plasticidade no acolhimento e no trato das diferenas humanas? Depois de filsofos como Kant e Husserl, a questo das verdades deixou de ser um problema das coisas em si mesmas e se tornou um tema da per- cepo humana. Ou seja, diferentes percepes do mundo podem coexistir e ser devidamente compreendidas nos nveis em que se or- ganiza a estrutura do pensamento humano.

E foi precisamente isso que Lcio Packter fez: localizou as principais antropologias filos- ficas da histria, o que se pensou e se definiu sobre o ser humano, e, dessa forma, estruturou em trinta tpicos um dilogo entre os vrios estratos da inteligncia, elaborando um conjunto infinito de pos- sibilidades. Diferentes concepes em diferentes tpicos da estrutura de pensamento so, desse modo, igualmente vlidas. Assim, a dispari- dade de correntes e conceitos filosficos antagnicos se explica.

Como tambm se amplia ilimitadamente o respeito tico s diversidades e aos modos de ser dos outros. A aparente contradio no discurso de Lcio desaparece na arquitetura fenomenolgica do pensamento, com harmonia e unidade estrutural prprias, feito uma colcha de reta lhos muito bem costurada.

Tivesse esse trabalho a pretenso de uma ontologia,viii da busca por um conceito filosfico de ser humano, pen- so que haveria de entend-lo como uma subjetividade holoplstica,ix no uma plasticidade pelo lado de fora, em que uma pessoa se adapta ao seu contorno externo, mas como um predicado constitutivamente aberto sua redefinio.

Porque ningum conhece a essncia do outro, apenas se pode interpretar o que ele aparenta. Na Filosofia Clnica, como em tudo, a tica se antecipa s funes tericas da ontologia. Penso que jamais haver uma s teoria do conhecimento racio- nalismos, empirismos, e outros que no seja polmica, o que huma- no.

Uma coisa certa, artigo de inteligncia, humildade e f: a reali- dade ser sempre maior que as nossas verdades sobre ela. Interessa Filosofia Clnica, em particular, o estudo da subjetividade humana e, desse modo, apenas da realidade vivida.

Sabe a Filosofia Clnica que qualquer afirmao defendida como verdadeira, na medida em que linguagem, deriva de regras arbitrrias de uso, definies e coisas do gnero. Sem cair no puro relativismo e sem construir metafsicas dog- mticas, o mtodo filosfico de Packter se assevera claramente: d-se pela historicidade. No mundo do partilhante, histria simples narrao dos prpri- os fatos.

Para o filsofo clnico, historicidade bem mais que isso, o mtodo segundo o qual todo conhecimento a respeito do partilhante o resultado de uma anlise do contexto de vida em que ele se situa, com especial ateno maneira como ele valoriza as perspectivas da sua narrativa. Atravs da hermenutica e da filosofia da linguagem, o fil- sofo clnico pode acessar muito da historicidade do partilhante mesmo quando este no fala diretamente de si prprio, e mesmo quando a lin- guagem utilizada para comunicao no essencialmente verbal.

Por hora, o que importa destacar que qualquer legtima informao so- bre o modo de ser do partilhante s filosoficamente vlida se fruto de uma escuta clnica. O conhecimento a respeito da subjetividade do outro nunca pode ser pressuposto com base na semelhana com outra pessoa, em nome de qualquer teoria. Historicidade a teia de perspec- tivas da estrutura de pensamento do partilhante sobre a realidade do mundo tal como ele e mais ningum a pde e soube vivenciar.

Todos os mtodos da Filosofia Clnica utilizam o horizonte da historicidade. Infelizmente, o saber disciplinar sobre o outro, num mecanis- mo corretivo da singularidade, como uma caixa de ferramentas para cur-lo de presumidas doenas mentais, ainda mais importante que a pessoa a ser conhecida.

Com a filosofia impactante de pensadores como Michel Foucault e George Canguilhem, est posta a m-f do conceito de psicopatologia. A loucura foi transformada em doena mental, desde o Renascimento, para aqueles que no corres pondem s caracterizaes do regime de verdade aceito e difundido pela modernidade. Na obra Histria da Loucura na Idade Clssica,x Fou- cault evidencia que, a partir do sculo XVIII, cincias como a psiquiatria, a psicologia e a psicopatologia condenam ao silncio e ao isolamento todas as diferenas que ameaam o status quo.

Desse modo, foi o poder de silenciamento que gerou a medida da normalidade e o conhecimento da cura. J em nossa poca, todas as sutilezas de clas- sificao e excluso, por fim, adquiriram o estatuto social da cultura, na educao discursiva e no-discursiva. E o que era apenas mais uma manifestao existencial da pessoa em seu contexto especfico virou um dispositivo de normalidade, de vigilncia e de correo.

A nica certeza inquestionvel que so teorias, portanto jamais podem ser tomadas como verdades em si mesmas. Psicopatologias so objetos da cincia. Enquanto o mtodo cientfico trata da verdade como uma generalizao dos fenmenos observados, transformados em leis aceitas como sendo da prpria realidade, a Filosofia Clnica investiga e se interessa pelo que no objeto das cincias: o fenmeno WILL GOYA 35 radical da subjetividade nica de cada um, que nunca se repete em outrem.

Um psicopata um julgamento e uma teoria geral da psi- copatia. No podemos confundir uma pessoa com uma teoria da pessoa. A diferena altamente filosfica. As teorias podem ser ver- dadeiras ou irreais, falsas no todo ou nas partes, mas os partilhantes no consultrio, sinceros ou no, so sempre profundamente reais.